quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Toda a vida ouvi isto


 "Só não perdes a cabeça porque está presa ao pescoço”
Mas nem é bem isso, não perco propriamente as coisas, guardo-as bem guardadas e, depois de um ataque súbito de amnésia, perco-as de vista, por dias, semanas, meses.
Tudo começou na minha infância com um hábito incompreensível de esconder os brinquedos mais queridos, para os poupar ao uso. Não brincava com eles, saíam da minha vista e tempos mais tarde tinha a agradável surpresa de os encontrar num lugar impensável.
A coisa foi refinando com a chegada da vida adulta. Com excepção de dois óculos graduados, que perdi mesmo, muitas vezes não sei onde guardo as coisas, dando-as como perdidas. Óculos de sol, brincos, relógios, aquele casaco que queria mesmo usar e não podia ser outro. Tudo acaba por aparecer, ou depois de ter adquirido algo em substituição, o que me deixa fula, ou quando até já nem era preciso porque já nem gosto tanto da peça ou a estação do ano já mudou.
O último episódio aconteceu recentemente. Há 10 mil km atrás, na revisão do meu carro, fiz com que os senhores da oficina o revirassem para encontrarem a chave de segurança dos pneus, já que os mesmos precisavam de ser cruzados. E nada. Não apareceu. E os pneus não foram cruzados.
10 mil km depois, com as férias a chegarem e com a insistência do meu marido para resolver a coisa, porque não dá jeito furar um pneu no meio do Alentejo e não ter a chave de segurança para o poder substituir, voltámos a procurar. (Eu, sem esperança, encomendei uma chave nova). Procurámos tudo, o apartamento todo, o carro todo (várias vezes), até o carro do meu marido, porque até a podia ter deixado lá, já que se o pneu furasse teria que ter ajuda, seria ao Miguel a quem telefonaria e o Miguel só se desloca de carro (até fazia sentido, não?). E nada.
Numa noite, o Miguel, que me conhece tão bem (porque só quem me conhece tão bem vai procurar naquele lugar), encontrou-a. A chave de segurança dos pneus estava na gaveta dos necessaires. Não faz sentido, eu sei. Por muito esforço que faça, não encontro explicação para o sucedido. E tive que ouvir, até nos deitarmos, “quem é o maior? Vá, diz lá, quem é o maior?”

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O que eu não dava para estar aqui novamente!


Mais perto das nuvens.
Em silêncio.
De mãos dadas com o amor.
Em paz.
Longe da realidade.
Rente ao sonho.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Virtualidades

Há uma dimensão que trespassa o que é virtual quando se segue um blog com regularidade.
Desde que o faço, aprendi mais, senti-me menos espécie rara, perspectivei alternativas, ri-me, passei à acção, tive retorno, comovi-me, percebi que o mundo é mesmo redondo e criei empatia por quem nunca vi em carne e osso.
Gosto tanto disso.
E não me importo de continuar a ouvir “o quê? leste isso nos teus blogs?” Sendo que só tenho um, que é este. Mas é mesmo isso, é como se aqueles que sigo religiosamente fossem um bocadinho meus.

É a grande virtualidade disto, que afinal não é assim tão virtual.
Um beijo maior à Princesa e à Valsita por mais um selo.

E um beijo maior à Duchess pelas lágrimas e pelo elogio.. ;)
E um beijo maior à Magda por tudo aquilo que me vai ensinando (por vezes via Melancia).

E um beijo maior, assim para o gigante, à Melancia pelo post dedicado aos pés de família.

O dia dos avós ficou marcado...

...por esta forma.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

E se a minha infância se resumisse a uma imagem



Poderia bem ser esta.
Porque foi uma infância doce.
Porque foi uma infância marcada por rituais.
Porque foi uma infância com rasgos de surpresa, euforia, maluquice pura.

Tinha eu cerca de 6 anos e, ritualmente, acompanhava o meu pai e a minha mãe para o café após o jantar. Café de beira de estrada, junto a uma bomba de gasolina. Ou seja, charme? Nenhum. Mas nem é isso que importa quando somos crianças.
Os meus pais sempre foram algo permissivos quanto à minha alimentação. Não me lembro de me ser recusado um chocolate (mal! É por isso que hoje sou dependente), um gelado (só não podia ser calipo, sei lá porquê), um sumo.
E por isso, quase a cada noite, me era permitido fazer um furinho e esperar pela cor da bolinha para saber que chocolate me caberia. Tanto fazia. Gostava de todos. Mas era uma emoção, nesses milésimos de segundos de espera ansiava pela bolinha prateada ou dourada, que me trariam um chocolate enorme.

Não deixa de ser curioso como estas lembranças me trazem o empolgamento da altura. É tão fácil ser feliz em criança.
Depois, de vez em quando, num acto absolutamente irracional, o meu pai deixava-me fazer vários furos de uma vez, até mais de 10, porque quem fizesse o último furo, tinha como acréscimo um grande conjunto de chocolates. Como eu vibrava com a loucura do meu pai. “Mesmo, pai? Todos?” Lembro-me tão bem que o espanto que me assolava estava também no rosto do empregado do café. E recordo a voz da minha mãe, ao longe, sem se impor propriamente, mas a lançar algo como “não têm mesmo juízo”.

E não tínhamos. E a infância é feita de dias assim. Em que se perde o juízo para se ganhar a noite, regressando a casa carregada de chocolates.
Cresci e deixei de acompanhar os meus pais ao café com a mesma regularidade.
Um dia reparei que a máquina dos furinhos (eu sei que aquilo não é uma máquina mas era assim que a chamava) já lá não estava.
Nem lá nem em lado nenhum.

Passaram-se anos até ter repetido a emoção, desta vez com amigas, numa feira em Viana. Lembro-me que senti o mesmo entusiasmo e que telefonei aos meus pais para lhes dar conta que, por mais uns minutos, voltei à infância.
Hoje, voltei mais uma vez. Só por causa desta imagem. Obrigada Susanita.

Como é que isso vai? (versão brasileira)

Vai rolando...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Desafio: as minhas 3 peças de roupa

A resposta ao desafio chega tarde (a minha aptidão para fazer montagem de imagens é zero).
Foi-me lançado pela Princesa e consiste em seleccionar 3 peças de roupa que não dispenso.
A escolha não é a mais expectável, mas é a minha.
1-Lenços! Muitos, de todos os géneros, de todas as cores, em diversas ocasiões. Na gravidez, então, deram-me um jeito enorme, porque o vestido era o mesmo, mudava era o lenço!
2-Meias com rendinhas para usar com sabrinas (não sei qual o nome correcto para esta peça de roupa). Desde que as descobri na Calzedonia, não as dispenso, porque dão uma graça às sabrinas, porque permitem que alguém como eu, que só tem 3 pares de sabrinas, mas que as usa todos os fins-de-semana ou fins de tarde, por causa das correrias do pequeno, possa parecer ter uma coleccção mais variada de calçado do que verdadeireamente tem.
3-Peças com história. Adoro peças de roupa com significado, como o lenço que usei no dia do nascimento do Pedro, como a minha blusa de margaridas que coloquei após o nascimento da minha sobrinha, como o casaco quer está na imagem, que é o casaco do vestido de casamento da minha mãe. Nada como uma dimensão emocional na roupa para nos sentirmos melhores.

Apesar de saber que a menina não gosta de desafio, lanço-o à Pitú como empurrão para desenvolver a temática da roupa na gravidez, e à Melancia, que está bem mais jeitosa do que eu nestas coisas das montagens.