quinta-feira, 7 de março de 2013

11, porque a Pitú pediu

Eu sei que chega com atraso. Também sei que não vou cumprir na íntegra o que a Pitú me pediu, porque não vou passar o desafio, mas à madrinha do meu pequeno não se nega nada. E aqui vai:
 
As respostas às 11 perguntas que me fez:

- Estes desafios são:
uma forma de nos darmos a conhecer e de conhecermos os outros, ainda que de uma forma superficial.
- O meu maior defeito é: ser excessivamente preocupada com os assuntos do trabalho.
- Daqui a 20 anos: serei melhor.
- Gostava de conhecer: (de ter conhecido) José Saramago e Sophia de Mello Breyner Andersen.
- Nunca me vou esquecer: do dia em que vi um arco-íris prateado em Iguaçu.
- Um dia perfeito: sem horários, sol de Inverno, café, chocolate e mimos.
- O meu maior medo é: a morte – pelo facto de “para sempre ser tempo demais”.
- Amar é: a melhor forma de ter – adaptado de uma frase de José Saramago.
- Uma casa deve ser: um sítio cheio das nossas histórias.
- Quero que o meu filho seja: inteiro.
- Ser feliz é: ser inteiro.
11 factos sobre mim (vou tentar não me repetir): sou muito dada aos pormenores, fico muitas vezes agarrada à primeira impressão que tenho das pessoas,fui muito arrumada, até ter nascido o meu filho, sou faladora, não esqueço facilmente, mas resolvo, penso seriamente em ter uma actividade profissional diferente, adoro leite creme, gosto de molhar o pão no leite (eu sei que isto não se faz, mas gosto mesmo), gostava de ter um filho não biológico, gostava de ter outro filho biológico, comovo-me muito facilmente.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Outra vez longe

São raras as vezes que a distância nos afasta os abraços, mas já começa a ser recorrente ter o marido fora no início do mês de Março. Por 7 dias. Pouco, para quem já se habituou a ouvir amigos e conhecidos a deixar o país por muito mais tempo. Pouco, para quem cá fica, com mimos extra dos pais e com um amor pequenino que nos absorve e nos exige estar de alma inteira. Tanto, para quem vai. Tanto, para quem pensa e sente como é tanto tempo para quem vai.

Não sou boa nas despedidas. Digo tudo o que se deve dizer, que vai passar rápido, que a vida é assim, que é pouco tempo, que estaremos sempre juntos ainda que em palavras ou em sonhos. E não choro. Mas o coração aperta-me por sentir o aperto de quem parte.
E depois, as crianças têm esse dom de nos abanar, esse jeito inconsciente de nos fazer focar no que importa. Mal o Miguel passou a porta de embarque, o Pedro correu para ver os aviões, correu para ver tudo o que um aeroporto tem de fascinante, correu porque o chão é liso e o espaço amplo. Dissemos adeus ao papá. Vimos um avião no ar e só não vimos o papá a acenar porque o avião voa mais alto dos que os pássaros e mais perto das nuvens.

Falo no papá todos os dias. Mas o Pedro não pergunta por ele. Sei que lhe sente a falta, que anseia pelas brincadeiras no banho, pelas escondidinhas, pelos saltos até ao céu que só o pai tem a habilidade de propiciar. Sei que sente que algo está diferente, a rotina alterou-se até um bocadinho mas o Pedro não questiona. Penso que será normal, acredito que não pergunte por uma questão de protecção. Ouve a voz do papá pelo menos 1 vez ao dia ao telefone, mas não lhe responde. Ontem mostrei-lhe uma fotografia do pai. Fez aquele gesto  de pedir o que está a ver na imagem (tão fofo) e choramingou. 1 segundo depois já estava a falar dos carros e da ambulância da cruz vermelha, mas voltei a sentir o coração apertado.
É que eu não sou boa nas despedidas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Serra das Estrelas

Saímos cedo de casa e os seus 23 meses, feitos nesse dia, permitiram-lhe já antever que seria um dia de passeio. Um passeio grande.
Quando lhe perguntei “sabes onde vamos?”, respondeu-me “Ponte de Lima”, porque 15 dias antes tínhamos escolhido passar o dia junto ao rio.
Tivemos tempo no caminho, antes que adormecesse e antecipasse o dia em sonhos, de lhe falar na neve, no frio, nos primos que iriam ter connosco e nesse nome bonito da Serra que o Pedro preferiu usar no plural: Serra das Estrelas.

O tempo devia permitir que gravasse para sempre aquela imagem do meu filho em espanto. O querer tocar na neve, o sentir o frio, o riso, a forma segura como caminhava, o rebolar no chão, abraçando a neve.
 
Alegria genuína. Como nunca pensei. Felicidade absoluta. Como só se sente quando se é criança. Ouvi-o dizer várias vezes “tanta neve”, como se pudesse o Pedro saber se aquilo era muito ou pouco. Tanta, porque para o meu pequeno tamanha felicidade não podia vir de pouco. Eu sei que não é verdade.
É o que mais adoro em ser mãe: fazer o meu filho feliz com quase nada.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Contradições

Não sendo crente, não fez sentido a frase que, trémula, deixei escapar: "se isto não passar de um susto, eu, eu, faço qualquer coisa importante, não sei, ajudo alguém, qualquer coisa...."
Parecia querer acreditar que se fosse só um susto e que se tudo estivesse resolvido, teria que compensar a sorte, a ajuda "divina".
Somos tão contraditórios. O desespero, então, faz-me tão contraditória...
Por isso, repetidamente, pedi desculpa esta manhã. Eu não sou assim. Eu não devo agir como agi. Ontem não fui capaz de deixar o escritório nem por um momento, nem enquanto dava o leite ao meu pequeno. Daí o meu pedido repetido de desculpa. Nem eu nem os que amo o merecem.

Quando saí do tribunal chovia. Ainda assim voltei à rua onde, minutos antes, vi uma senhora vender flores. Porque chove poucos devem parar para comprar flores. Eu parei. Eu comprei. Um molho de frésias para a minha mãe, outro para o meu marido.

  

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Estes dois

Estes dois enchem-me o coração pelo simples facto de existirem. Mas eles resolveram ir mais longe e, por diversas vezes já me vieram as lágrimas aos olhos, de alegria, daquela bem boa!
A estes 2 só lhes faltou nascerem juntos e desafiarem-se um aou outro no primeiro choro. Conheceram-se no quente da barriga das suas (lindas e maravilhosas) Mães e, desde então, é ver a amizade crescer.
Partilharam dress codes, pic nics, fotos colectivas, areia da praia e água da piscina!
É impressionante como gostam um do outro, do alto dos seus 18 meses. O Diogo gasta o nome do Pê até à exaustão, pergunta por ele, quase todos os dias desde que voltamos de férias, chora quando tem de se separar. O Pedro dança de alegria quando vê o Diogo, sorri de uma forma incrível, provoca-o em todas as suas brincadeiras, corre e espera que o Diogo o siga, esconde-se e chama para que o procure. É a verdadeira loucura quando estão juntos, brincam até ficarem de cabelo encharcado de tanto suar e ficam felizes, felizes...
Há poucas coisas boas na vida como os amigos, e ensinar a, maravilhosa, arte da amizade, desde o dia em que se nasce, é dos melhores presentes que podemos dar a um filho. Não sabemos o que o futuro lhes reserva, se um dia enjoam um do outro (ai deles...), se serão, ou não, os melhores amigos do mundo, mas por enquanto vamos bebendo um pouco desta alegria de estar por perto, deste entusiasmo e deste amor pequenino.”

                                                                                                       Ana Melancia
Este texto foi escrito há uns meses pela minha amiga Ana.
Faz sentido publicá-lo aqui, porque não escreveria melhor sobre esta amizade em jeito de irmãos.
Faz sentido relembrá-lo agora que terminamos os 4 (os pais) as visitas aos jardins infantis para os 2 pequenos. Porque quem não nos conhece, quem ignora esta amizade que tão bem a Ana descreve, “estranha-nos”.  E nós sorrimos com isso.

“Mas afinal quantos meninos são?”
"Nós não somos nenhuma família (muito) moderna. São dois meninos, um de cada um de nós, de cada casal, quero dizer."
“Que idade têm as crianças?”
"Têm dois anos. Fazem os dois em Março."

"Não precisa de passar as informações para outro cartão. Basta 1 para os 4. Nós somos mesmo amigos."
"Não precisamos de prolongamento. A nossa família é toda daqui. Os avós moram todos aqui."

E podíamos dizer que ambas as mães são Ana Cristina. Que um adulto é Pedro, que uma criança é Pedro, mas não são pai e filho. Que um adulto é Miguel e que um nascituro é Miguel, mas não são pai e filho. Que cada um dos meninos tem uma avó Adelaide e um avô Albino, mas não são avós comuns.
Mas isto baralhava um bocado mais, não?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Não dá para esconder que temos um filho pequeno...#23

Quando o nosso pequeno regressa ao jardim zoológico para ver novamente o tigre bebé (é impossível não gostar, vamos tentar outra vez, é tão giro...) e, à noite, o pai pergunta: "Já disseste à mamã o que foste ver hoje ao zoo?", ao que ele responde "a menina!"

Eu sabia

Eu sabia que o julgamento de hoje me faria relativizar o peso que trago nos últimos dias. Eu sabia. Enquanto aguardo no átrio, vejo o menino correr. Correr talvez seja enfatizar a coisa, mas já anda, é o que importa. Enquanto espero, a luz difusa que lhe acompanha os movimentos, lembra-me o meu menino. Porque o meu corre desde que começou a andar... Enquanto aguardo, vejo a mãe. Sinto-lhe o nó na garganta, sinto-lhe o ritmo acelerado do coração. Enquanto espero não tenho dúvidas de que sou abençoada. A espera lembra-me o que pedi às estrelas. E enquanto espero sou melhor, porque estou centrada no que realmente importa.