sexta-feira, 15 de março de 2013

A forma do nosso amor

Amanhã o Pedro faz 2 anos.
À semelhança do ano passado, quisemos que o aniversário ficasse gravado em linhas especiais. Depois de um retrato a óleo, uma ilustração. E diz-se tanto sobre o Pedro assim.
Diz-se tanto sobre o nosso amor.

Se o nosso amor tivesse uma forma, poderia bem ser esta: a forma de uma lua. Não de uma lua como esta, mas de uma lua CHEIA.


Ilustração de Diana Costa - The Art Studio.
www.facebook.com/iliketheartstudio.com

quarta-feira, 13 de março de 2013

O mundo simples

Encanta-me a percepção que as crianças têm das coisas. Essa forma limpa de encarar o mundo. Esse jeito transparente de o dizer.
No meu filho tudo me encanta, é verdade. No meu filho tudo me encanta ainda mais.

Ontem à noite, enquanto o Pedro bocejava.
Pai: Isso é soninho?
Pedro: Não!
Pai: Ai não!? Então é o quê?
Pedro: É abrir a boca!

segunda-feira, 11 de março de 2013

A lista da nossa mãe

Outro? Foi assim que a Sara começou o seu post.
É assim que começo o meu.
Sim, outro, porque quando alguém nos diz que gosta muito de tudo o que dizemos, não temos como negar um pedido. Obrigada, Sara.

Eu

Prato favorito: Massa em geral.
Peça de roupa e acessório: Vestidos e relógios.
Música favorita: Alma mater, Rodrigo Leão.
Flor: Frésias
Cor: Verde.
Cheiro: Café.
Livro favorito: Antologia de Sophia de Mello Breyner Andersen. Uma visita ao Jardim Botânico relembrou-me Sophia. Como me marca desde criança…
Local: Porto, as ruas do Porto, os jardins do Porto, o rio do Porto, as pontes do Porto.
Brincadeira favorita: Plasticina e bolas de sabão
Quotes mais importantes para a vida: “há ilimites que nos moram” de Fernando Alvarenga
Bolo favorito: Chocolate
Maior mentira: Sou a prima mais velha e era sempre eu a culpada. Um dia mordi a minha mão só com os dentes de baixo (porque os de cima eram grandes e não compatíveis com os do meu primo) e disse à minha avó que o Serginho me tinha mordido. Acreditou! E o Sérgio levou um castigo injusto.
Maior traquinice: Maquilhar um amigo na viagem de finalistas do 12º ano durante o sono.
Gelado favorito: Iogurte.
Profissão que queria ser: Fotógrafa.
Defeito da Mãe: Pensa demais.
Qualidade da Mãe: Dar-me ao trabalho, em tudo.

Eu e o meu filho

Fecho os olhos e a primeira imagem que tenho de ti é: No meu peito, a dormir, sereno, respiração ao meu ritmo, calor, paz.
Coisas que lhe queres ensinar: A agir, a intervir, a marcar presença e nunca deixar nada por dizer.
O que guardarias na caixa de recordações do teu filho: Tudo! Tudo o que é importante. Sou muito ligada aos objectos que fazem a nossa história. Cartas, desenhos, bilhetes de teatro e concertos para bebé…
Locais onde querias levar o teu filho: Iguaçú, por ser o local do amor maior que o fez.
Coisas que gostas que ele te diga: "A mamã, vai?". Esta forma que tem de dizer que depende de mim.
Coisas que não ias gostar que ele fizesse: Que não tivesse confiança em mim.
O que não gostas de fazer ao teu filho: De não lhe dar a atenção devida quando trago o trabalho para casa.
Queres muito que o teu filho: Seja inteiro! (outra vez)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Não dá para esconder que temos um filho pequeno...#24

Quando, procurando uma moeda esquecida na bolsinha da carteira para tirar um café na máquina do tribunal, nos sai uma bola de plasticina cor de pele.

E porque o julgamento que se seguia era de tráfico de droga, ainda ouvi um Colega dizer-me "vá lá, não é castanha".

quinta-feira, 7 de março de 2013

11, porque a Pitú pediu

Eu sei que chega com atraso. Também sei que não vou cumprir na íntegra o que a Pitú me pediu, porque não vou passar o desafio, mas à madrinha do meu pequeno não se nega nada. E aqui vai:
 
As respostas às 11 perguntas que me fez:

- Estes desafios são:
uma forma de nos darmos a conhecer e de conhecermos os outros, ainda que de uma forma superficial.
- O meu maior defeito é: ser excessivamente preocupada com os assuntos do trabalho.
- Daqui a 20 anos: serei melhor.
- Gostava de conhecer: (de ter conhecido) José Saramago e Sophia de Mello Breyner Andersen.
- Nunca me vou esquecer: do dia em que vi um arco-íris prateado em Iguaçu.
- Um dia perfeito: sem horários, sol de Inverno, café, chocolate e mimos.
- O meu maior medo é: a morte – pelo facto de “para sempre ser tempo demais”.
- Amar é: a melhor forma de ter – adaptado de uma frase de José Saramago.
- Uma casa deve ser: um sítio cheio das nossas histórias.
- Quero que o meu filho seja: inteiro.
- Ser feliz é: ser inteiro.
11 factos sobre mim (vou tentar não me repetir): sou muito dada aos pormenores, fico muitas vezes agarrada à primeira impressão que tenho das pessoas,fui muito arrumada, até ter nascido o meu filho, sou faladora, não esqueço facilmente, mas resolvo, penso seriamente em ter uma actividade profissional diferente, adoro leite creme, gosto de molhar o pão no leite (eu sei que isto não se faz, mas gosto mesmo), gostava de ter um filho não biológico, gostava de ter outro filho biológico, comovo-me muito facilmente.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Outra vez longe

São raras as vezes que a distância nos afasta os abraços, mas já começa a ser recorrente ter o marido fora no início do mês de Março. Por 7 dias. Pouco, para quem já se habituou a ouvir amigos e conhecidos a deixar o país por muito mais tempo. Pouco, para quem cá fica, com mimos extra dos pais e com um amor pequenino que nos absorve e nos exige estar de alma inteira. Tanto, para quem vai. Tanto, para quem pensa e sente como é tanto tempo para quem vai.

Não sou boa nas despedidas. Digo tudo o que se deve dizer, que vai passar rápido, que a vida é assim, que é pouco tempo, que estaremos sempre juntos ainda que em palavras ou em sonhos. E não choro. Mas o coração aperta-me por sentir o aperto de quem parte.
E depois, as crianças têm esse dom de nos abanar, esse jeito inconsciente de nos fazer focar no que importa. Mal o Miguel passou a porta de embarque, o Pedro correu para ver os aviões, correu para ver tudo o que um aeroporto tem de fascinante, correu porque o chão é liso e o espaço amplo. Dissemos adeus ao papá. Vimos um avião no ar e só não vimos o papá a acenar porque o avião voa mais alto dos que os pássaros e mais perto das nuvens.

Falo no papá todos os dias. Mas o Pedro não pergunta por ele. Sei que lhe sente a falta, que anseia pelas brincadeiras no banho, pelas escondidinhas, pelos saltos até ao céu que só o pai tem a habilidade de propiciar. Sei que sente que algo está diferente, a rotina alterou-se até um bocadinho mas o Pedro não questiona. Penso que será normal, acredito que não pergunte por uma questão de protecção. Ouve a voz do papá pelo menos 1 vez ao dia ao telefone, mas não lhe responde. Ontem mostrei-lhe uma fotografia do pai. Fez aquele gesto  de pedir o que está a ver na imagem (tão fofo) e choramingou. 1 segundo depois já estava a falar dos carros e da ambulância da cruz vermelha, mas voltei a sentir o coração apertado.
É que eu não sou boa nas despedidas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Serra das Estrelas

Saímos cedo de casa e os seus 23 meses, feitos nesse dia, permitiram-lhe já antever que seria um dia de passeio. Um passeio grande.
Quando lhe perguntei “sabes onde vamos?”, respondeu-me “Ponte de Lima”, porque 15 dias antes tínhamos escolhido passar o dia junto ao rio.
Tivemos tempo no caminho, antes que adormecesse e antecipasse o dia em sonhos, de lhe falar na neve, no frio, nos primos que iriam ter connosco e nesse nome bonito da Serra que o Pedro preferiu usar no plural: Serra das Estrelas.

O tempo devia permitir que gravasse para sempre aquela imagem do meu filho em espanto. O querer tocar na neve, o sentir o frio, o riso, a forma segura como caminhava, o rebolar no chão, abraçando a neve.
 
Alegria genuína. Como nunca pensei. Felicidade absoluta. Como só se sente quando se é criança. Ouvi-o dizer várias vezes “tanta neve”, como se pudesse o Pedro saber se aquilo era muito ou pouco. Tanta, porque para o meu pequeno tamanha felicidade não podia vir de pouco. Eu sei que não é verdade.
É o que mais adoro em ser mãe: fazer o meu filho feliz com quase nada.