terça-feira, 6 de agosto de 2013

Não dá para esconder que temos um filho pequeno...#28

Quando o nosso marido acorda várias vezes de um sonho a gritar "vais cair" ou mesmo fora da cama num movimento típico de um guarda-redes a fazer uma defesa incrível!

Sim, a criança está numa fase particularmente radical e o pai sofre! A mãe não, porque está com um sono demasiado pesado.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O meu Pedro de todos os lugares

Eu tenho os meus lugares. O Miguel tem os seus lugares. Aquilo que experimentamos, a forma como nos vestimos, as palavras que escolhemos para nos expressarmos, a música que ouvimos, tudo nos leva aos nossos lugares.

A vantagem de ser criança é que se é de todo o lado. O meu filho é de todos os lugares. Não importa se está num café chique de uma zona in da cidade, num pátio em Miguel Bombarda ou numa tasca na zona Ribeirinha. Não importa se com quem se cruza usa rendas na gola, um fato de treino alternativo ou um pé descalço. E o Pedro, este meu pequeno observador, que vê o mundo e o devora, nem me questiona (e eu estranho) porque é que o pai do Martim tem uma crista ou porque é que o senhor que nos diz para "estacionarmos" um pouco, estando nós a pé, traz os braços e as costas tatuadas.
O meu filho é de todos os lugares. Vejo-o adaptado a todas as pronúncias, a todos os cheiros, a todos os tratos. Aliás, nem é propriamente adaptação, é ser-se criança e pertencer-se à vida e à felicidade e ponto final. Sem que isso esteja, para já, dependente daquilo que para nós adultos é o nosso conforto, a nossa identidade.
O meu filho é de todos os lugares, porque é, antes de tudo, ele mesmo. E eu gosto tanto disso.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Não era bem isto que eu queria escrever...

23 de Julho será sempre um dia feliz.

Há 3 anos estava verdadeiramente feliz. Dos dias mais felizes de sempre.
E 3 anos depois sei que tenho (mais) motivos para ser ainda mais feliz.
Mas a felicidade da expectativa, do segredo, do querer contar, a felicidade da primeira vez, como essa não conheço.

A felicidade é mais serena hoje.

E estou mais velha. Sinto-me cansada. Custa-me subir escadas e até me sinto com falta de ar.
Quando me olho ao espelho do elevador acho-me mesmo mais velha.
Comentei isso com o meu pequeno e ele disse que sim, que a mamã estava velhinha.

Ainda assim, 23 de Julho será sempre um dia feliz.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Imaginem...

Imaginem um filho eléctrico. Daqueles filhos sem qualquer distúrbio comportamental mas cheio de genica. Que nunca parou. Até porque quando começou a andar, começou logo a correr! E um filho que agora está na fase da escalada. Que chega aos sítios mais inesperados.
Agora imaginem esse filho doente por uns dias.
Não, não ficou calminho, ficou igual. Continuou a correr, a saltar, a fazer asneiras.
Agora imaginem esse filho a tomar ventilan.
Não, não ficou calminho, ficou pior. Não dormiu uma noite inteira. Não dormiu mesmo. Usou a noite para brincar, para trepar ao que ainda não tinha trepado, para tirar todas as almofadas do lugar e para espalhar as centenas de carros que tem. Usou a noite para beber "kekinho" (leite), sumo, água, mais "kekinho", para ir ao pote e para ver as estrelas.
Imaginem um efeito secundário do ventilan, raro, no vosso filho.
Sim, imaginem.

Sorte a vossa. Também eu gostava só de imaginar. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Não dá para esconder que temos um filho pequeno...#27

...mas com gostos musicais de um adulto, quando o pequeno passa a vida a cantarolar:

"I wonder, na na na na, I wonder"
"Tocam os sinos na torre da igueja, há arroz menino e..."
"Que seja agora, que seja agora"

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Das minhas coisas (ou já estive mais longe do Magalhães de Lemos) #4

Sei que seria capaz de comer, de uma vez só, 5 kilos de chocolate de boa qualidade.

Já apostei com as minhas amigas: oferecem-me os 5 kilos e eu provo!
Não sei se por não confiarem em mim ou se por serem verdadeiramente minhas amigas e temerem pelo meu fígado, não me deixam avançar com a aposta.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

S. João


O sítio que reservei para as minhas fotografias não é este.
Mas esta fotografia diz (-me) tanto.

O S. João é a minha festa. É a festa da minha cidade do coração. Lembro-me desde sempre do cheiro das sardinhas, do sabor dos pimentos assados, da musicalidade dos martelos na cabeça, da dança das pessoas, num movimento de umas contra as outras. Lembro-me de tudo isto e era ainda pequena. Num tempo em que o meu pai me levava às cavalitas e eu via o Porto, assim, em festa, lá de cima, como quem vai ao miradouro da Vitória e o recebe no peito.
No Domingo de manhã, caminhei durante 4 horas e meia por esta cidade que se preparava, mais uma vez, para tudo isto e lembrei-me dessa minha infância. Lembrei-me de como se é feliz na infância com tão pouco.
À noite, às 00h00, o meu filho, enquanto lançávamos os balões, disse-me mais uma vez como se é feliz na infância.
E em cada balão um desejo. Uma infância.