segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Das coisas improváveis desta gravidez

-às 18 semanas de gravidez, uma pessoa conhecida vê-me sentada e diz-me que estou mais magra (não estou!)
-tenho um dente do siso a nascer.
-às 21 semanas de gravidez continuo a dormir de barriga para baixo.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Este meu amor que é mais meu -II

Esta minha filha é mais minha do que de qualquer outra pessoa.

Pouco tempo depois do nascimento do Pedro, a propósito da gravidez de alguém que me é próximo, disse aos meus pais que não lhes perdoaria se, numa segunda gravidez minha, não “vibrassem” como na gravidez do Pedro, que não lhes perdoaria se sentisse que o meu segundo filho era menos do que o primeiro.
Mas os avisos de nada adiantaram. Contámos a notícia de uma forma bonita, planeada, por ocasião de um outro festejo, mas não houve abraços efusivos nem lágrimas nos olhos como da primeira vez.
Eu bem sei que também eu recebi a notícia de forma bem mais tranquila, mas senti-me verdadeiramente feliz, com a mesma vontade de contar ao mundo, com a mesma vontade de abraçar tudo e todos.

Confesso que fiquei desiludida com a reacção dos meus pais. Disse-lhes isso dias mais tarde e apesar da recusa de qualquer tratamento discriminatório, sinto esta gravidez de forma absolutamente diferente aos olhos dos outros.
Esta minha filha não tinha com 10 semanas de vida caixas e caixas de roupinha. Esta minha gravidez não teve uma peça importante oferecida pelos meus pais para a simbolizar. As consultas desta gravidez já ficaram marcadas por uma falta do pai (eu sei, Miguel, que ficaste triste) e por um atraso a outra tão grande que eu tive que ir ao ecógrafo duas vezes na mesma consulta. Esta minha filha não ouve o pai todas as noites, naquele sussurro que era um hábito na gravidez do Pedro.

E custa-me ainda mais pensar que hoje as coisas são mais equilibradas porque esta minha filha é uma menina. Porque só quando soubemos que era menina é que os ânimos dos outros melhoraram. Se esta minha filha fosse um menino, seria ainda mais meu filho do que de todos os outros.
Esta minha filha é mais minha.  É assim que o sinto (pelo menos), agora.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Todo o dia

Dei por mim a pensar que as primeiras letras dos nomes próprios dos meus filhos identificam os dois períodos de 12 horas de cada dia. E que juntos, PM e AM, formam os nossos dias.

Das minhas coisas (ou já estive mais longe do Magalhães de Lemos) #5

Fui eu que inventei o shampoo 2 em 1.
Era criança e tive essa ideia.
Depois algum adulto se antecipou.

Ah, mas nunca me servi da (minha) criação porque nunca usei shampoo 2 em 1.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Este meu amor que é mais meu - I

Esta minha filha é mais minha do que de qualquer outra pessoa.

Chegou-me de surpresa, contra todas as certezas, contra todas as probabilidades. Chegou-me num palpite, uma dúvida, numa ânsia, num teste feito em laboratório sem que ninguém soubesse, num telefonema com o resultado, numa espera no Tribunal. E naquele momento, num banco em que me sentei tantas vezes à espera, esperei de outro modo. E sorri, numa emoção muito mais contida do que da primeira vez, numa felicidade tão mais serena. E numa confirmação que só era minha.
Era 27, esse número que nos diz tanto, depois de um pedido no ar quente de um balão de S. João.
E como nos chegou de forma tão improvável, nem o pai entendeu o que escrevi naquele postal: “hoje, amo-vos ainda mais porque tenho dois corações em mim”.
Esta minha filha é mais minha. E não o digo em jeito de reclamar a posse de um amor, em jeito de causar inveja. Sinto-o, sinto-o muito mais com a Ana Miguel, por tantas e pequenas coisas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O meu mundo mais cor-de-rosa

Imagem do pinterest

Porque já a sinto todos os dias, o meu mundo é mais cor-de-rosa.
Porque é de amor que se fala, chama-se Ana Miguel.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A cara de grávida

Tenho tanto para escrever sobre o meu amor mais pequeno, mas por tantas coisas sobre as quais ainda escreverei, quero fazê-lo com tempo e com alma.

Mas não resisto a falar da minha "cara de grávida". Para mim, a cara de grávida é aquela que se instala nos últimos tempos da gravidez, quando o nariz se assemelha ao nariz de um adolescente e a boca a uma adepta do botox labial. Para mim, a cara de grávida é aquela que nos alerta que o parto está mesmo para breve.
Por isso, quando eu estava grávida de poucas semanas, quando a barriga não era de todo visível e quando fisicamente não se notava rigorosamente nada, a não ser um cansaço extremo de que padeci, mas que podia ser bem falta de férias, e alguém da família do meu marido me disse "estás mesmo com cara de grávida", pensei: "só me faltava esta, há gente que só gosta de nos pôr para baixo". Mas só pensei, tendo-me bastado com uma resposta polida "não me parece..."

Ao falar disto às minhas amigas, uma delas disse-me que o comentário podia ser bem intencionado, que podia ter sido no bom sentido, no sentido da beleza das grávidas. Disse que não, cara de grávida é aquela que está bem expressa no dia do parto do Pedro e nos dias seguintes (como é possível!).

Há uns dias, saí de manhã e o Miguel despediu-se dizendo que estava bonita. E sinto-me bem, finalmente, verdadeiramente bem.
Entrei numa loja e a dona, que me conhece bem, elogiou o meu estado. Disse-me algo como "está mesmo bonita, nota-se mesmo na sua cara que está grávida. Está com a chamada cara de grávida".

E foi aí que percebi que o primeiro comentário poderia ter sido efectivamente um elogio. E que tenho que reformular esta imagem da cara de grávida. Pelo menos até chegar às 36 semanas. ;)