quinta-feira, 24 de abril de 2014

Melhor mãe do que nos outros Alentejos

Desde há dois meses que a minha vida é muito mais cor-de-rosa. Com excepção do sofrimento que senti pelo sofrimento do meu pequeno (o que dará outro post), a forma como nos chegou a nossa andorinha, a forma como se adaptou a nós, a forma como voa tranquila, tudo faz da minha vida muito mais cor-de-rosa.
E a isso devo à Ana Miguel, porque nunca conheci um bebé tão doce, tão fácil, tão “sem questões”, mas também a nós, a mim e ao Miguel, que neste “segundo round” soubemos relativizar quando era para relativizar, soubemos rir das adversidades, soubemos gerir prioridades…
Desde o minuto zero da minha pequenina, percebi que seria melhor. Melhor mãe. Reconheci-o na forma como encarei o parto (cesariana), a amamentação, a logística de passarmos a ser 4. E talvez por isso tenha tido alta mais cedo do que o esperado, talvez por isso me tenha sentido sempre tão bem fisicamente, talvez por isso esteja a amamentar em exclusivo mesmo estando a trabalhar há 1 mês, talvez por isso já tenha feito a 4 uma viagem ao Alentejo e a tenha aproveitado ao máximo, com passeios matinais só para ver os campos (e as andorinhas) como nunca tinha visto.
Este “segundo round” está a ser assim, como essa viagem ao Alentejo na Primavera. Repeti caminhos que percorri muitas vezes no Verão, mas desta vez os campos estão verdes, rosa, lilás e amarelo forte. E eu nunca tinha parado tanto tempo só para apreciar a cor dos campos alentejanos, para os reter em mim e na lente da minha câmara fotográfica.
Agora, também eu dou por mim a parar e a reter tudo o que a minha pequenina tem para me dar e o tanto que lhe tenho destinado. A consciência de que estou a viver cada dia pela última vez faz-me assim, mais contemplativa, mais presente e (paradoxalmente) mais serena.
Melhor mãe do que nos outros Alentejos.
E inevitavelmente penso que o meu primeiro amor pequenino sai em desvantagem. Mas depois esse pensamento esvai-se, porque o que importa é que agora sou melhor, pela/para a Ana e pelo/para o Pedro.

 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não dá para esconder que temos um filho pequeno...#30

Quando recebemos um telefonema da escola e, enquanto a recepcionista passa a chamada à educadora, ficamos sem respirar.

Tinha-o deixado há cerca de 2 horas, bem-disposto, não podia ser febre ou viroses. Imaginei uma cabeça partida, um braço ao ombro, mas era só por causa de um ensaio... (e sim foi a primeira vez que me ligaram da escola).

terça-feira, 1 de abril de 2014

O meu silêncio

O meu silêncio sabe-me a amor.
Estou perdidamente apaixonada e na confusão do amor não me resta tempo para escolher palavras.
O que vos posso adiantar é que não me lembro de me sentir tão bem...não com o corpo, não com a casa, não com o trabalho, mas com a vida. Com a vida a 4.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

E depois esqueço-me...

Às vezes lembro-me de todas as contrariedades que foram surgindo durante esta gravidez. 2014, a quem eu pedi tempo, não começou da melhor forma. E o tempo escorre-me, também por causa disso. Levaram-me (perdi?) a carteira, tive um acidente de carro, passei uma tarde no Hospital à custa disso, ganhei uma dor no pescoço que ainda se mantém à custa disso, chove, chove tanto, o que me dificulta o entrar e o sair do carro com o meu pequeno de quase 16kg e a minha pequena de 2.500gr.
Estou quase com 38 semanas e não tenho a minha mala feita, não tenho os lençóis para o berço, não tenho a prenda da mana para o Pedro, não tenho as máquinas fotográficas com bateria e espaço no cartão.
Às vezes lembro-me de todas as contrariedades e depois esqueço-me.
Basta sentir a Ana, nesta forma tão própria e incisiva como se mexe.
Basta ver o empenho que o Miguel tem em me surpreender.
Basta o telefonema matinal da minha mãe, quase diário, perguntando por mim e pela minha filha.
Basta a preocupação do meu pai, essa preocupação que me lembra a minha infância, esse jeito contido de dizer que me ama.
Bastam as minhas amigas que me enganam com surpresas tão doces, tão doces.
Basta entrar no quarto que é hoje do Pedro e da Ana.

E basta o Pedro.
A forma como fala da irmã, as perguntas que faz, os seus raciocínios, as suas intenções (as boas e as más), as suas interpelações relativamente à mana, bastam-me.
Foi o Pedro quem mais me surpreendeu nesta gravidez. Como nunca pensei.
Eu não sei como é ter um irmão "verdadeiro". O Pedro já sabe.
Às vezes lembro-me das contrariedades que foram surgindo e das que estão para vir e depois esqueço-me.
Porque o que é isso à beira do amor que sinto?
O que é isso à beira do novo amor que sinto?
O amor pela Ana.
O amor pelo Pedro.
O amor do Pedro pela Ana.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Interrompemos o silêncio para falar de coisas muito banais

Enquanto o tempo não me faz regressar aos meus desabafos (com tempo) e porque não resisto a estes 2 anos quase 3...

Pedro: Mamã, estás aflita.
Eu: Aflita? Eu?
Pedro: Sim. Está mesmo aflitinha!
Eu: Eu, filho? Não.
Pedro: Não está mesmo aflita de fazer cocó?
Eu: Não. Tu estás?
Pedro: Estou!

É isto o discurso indirecto?