terça-feira, 3 de junho de 2014

Colo

"o melhor lugar que você irá conhecer é esse. O colo da sua mãe. Tudo que acontecerá depois será a constante busca pela repetição do conforto, aconchego, amparo, proteção que existe aí. Os abraços dos seus irmãos, serão. A mão da sua tia, será. Os carinhos cuidadosos da sua avó, do seu avô, serão. O olhar amoroso dos seus padrinhos, será. Essa constante busca pelo colo mágico da sua mãe acompanhará sua existência nos seus amores, nas pessoas que compreenderem essa coisa difícil que é ser companheiro, estar disponível, ouvir os seus chamados. Lá na frente (não dá para ver ainda, é depois da última curva que vemos agora), lá na frente, no futuro, você poderá até oferecer o seu colo para sua mãe. O mundo aparentemente inverte a gente, quando convém. E o mais engraçado é que, ainda que nessa situação, mesmo sem que você saiba, é o colo dela que estará a serviço do seu choro, da sua angústia, das suas emoções e razões. O Cacá, seu pediatra, diz sempre: "ela é uma bebê de colo", para dar início às fabulosas aulas de vida (ele nos dá várias, a cada encontro). Aproveite, filha. Contemplar um pôr-do-sol no colo da sua mãe é provavelmente a melhor coisa que pode acontecer num dia comum como ontem. Ou hoje. E amanhã."

Escrito pelo Pai Pedro.
Tropecei neste texto por causa da Macaca.
E disse-me tanto.
A minha filha é uma bebé de colo. Do meu colo. Desde o primeiro momento em que o conheceu. E se, às vezes, me dava jeito que não estranhasse os colos de quem a ama, ao mesmo tempo dá-me vaidade que a minha pequenita, tão pequenita, o sinta especial, o sinta como o melhor lugar que irá conhecer. Porque é um lugar onde pode regressar sempre. Porque é do melhor que lhe posso oferecer.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Não dá para esconder que temos um filho pequeno...#31

O meu filho é mesmo uma criança...

Um dia destes, o Pedro oferecia-me a parte amarela de um húngaro (a parte de chocolate comeu-a ele) e eu dizia-lhe: "a mamã não pode, está em dieta"
Pedro: O que é dieta?
Eu: É ter cuidado com o que como, para ficar magrinha.

Dois dias depois...
Pedro: A mamã está em dieta, tem cuidado com o que come.
Eu: Pois é. E para quê?
Pedro: Para ficar grande!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

No melhor o pior

Nesta mais recente maternidade não tive ataques de choro como na primeira, não senti oscilações hormonais que me fizessem parecer bipolar. Nesta mais recente maternidade só chorei por causa do Pedro.
Depois de uma reacção doce durante toda a gravidez, depois de uma reacção eufórica, plena de felicidade, no dia em que conheceu a irmã, o Pedro revelou-se zangado, irritado, furioso até.
Eu contava com ataques de ciúmes contra a Ana Miguel, com retrocessos aqui e ali, mas não contava que dirigisse toda a sua instabilidade contra nós, pais. E nós, que nos desdobrámos para que não sentisse diferença nas rotinas, que nos multiplicámos para lhe dar todo o mimo ( e muito mais), nós éramos para ele o inimigo!
Durante 8 dias o Pedro deixou de dizer, como sempre disse, que me adorava. Durante 15 dias não quis a nossa ajuda no banho, na hora de beber o leite, não quis que participássemos nas suas brincadeiras. Chegou mesmo a dizer que queria que nós fossemos embora e que ele ficava sozinho com a mana.
Tudo isso doeu mais do que podia imaginar, não por pensar que algo tinha mudado na nossa relação mas por ser um reflexo do seu sofrimento imenso.
O Pedro deitou-se várias vezes a chorar e ele não sabe que, enquanto lhe apertava o corpo contra o meu e lhe beijava a testa, também eu me deitava a chorar.
O pior já passou e gosto de pensar que as coisas voltaram à normalidade. Mas há retrocessos num dia ou noutro. São esses dias que me lembram que o melhor que pude fazer pelo meu filho lhe trouxe também o pior. São esses dias que não me fazem esquecer que os dias mais felizes da minha vida foram também os mais duros.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Dos sorrisos de sexta-feira

Na sexta-feira passada saí a sorrir da casa dos meus pais. O meu almoço rápido na casa que ainda é minha e o almoço mais demorado da minha pequena (porque é sempre mais demorado se o faz directamente da fonte) podiam ser a razão, mas não. O sol e a temperatura amena, a proximidade do fim-de-semana podiam ser a razão, mas não.
Saí a sorrir por causa dos meus pais. Pelo amor que lhes vejo em tantos gestos, pela dedicação que lhes encontro no jeito com que também criam os meus filhos e pela harmonia que lhes sinto, a dois, quando os netos estão por perto.
Nessa sexta-feira, durante o meu almoço rápido, o meu pai colava cromos numa caderneta para o Pedro e a minha mãe embalava a Ana. Porque a colecção dos cromos ainda vai a meio, o meu pai adiantou que sairia, quando eu saísse, para comprar mais carteirinhas de cromos. E eu sugeri que o meu pai deixasse o carro em casa e fosse a pé, levando o carrinho da Ana e a minha mãe a seu lado.
E assim foi, na sexta-feira passada, os meus pais saíram a pé (quem conhece o meu pai sabe que tal é um feito!), lado a lado, empurrando a minha filha no carrinho. Sorriam os 3. Sorria também eu.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Melhor mãe do que nos outros Alentejos

Desde há dois meses que a minha vida é muito mais cor-de-rosa. Com excepção do sofrimento que senti pelo sofrimento do meu pequeno (o que dará outro post), a forma como nos chegou a nossa andorinha, a forma como se adaptou a nós, a forma como voa tranquila, tudo faz da minha vida muito mais cor-de-rosa.
E a isso devo à Ana Miguel, porque nunca conheci um bebé tão doce, tão fácil, tão “sem questões”, mas também a nós, a mim e ao Miguel, que neste “segundo round” soubemos relativizar quando era para relativizar, soubemos rir das adversidades, soubemos gerir prioridades…
Desde o minuto zero da minha pequenina, percebi que seria melhor. Melhor mãe. Reconheci-o na forma como encarei o parto (cesariana), a amamentação, a logística de passarmos a ser 4. E talvez por isso tenha tido alta mais cedo do que o esperado, talvez por isso me tenha sentido sempre tão bem fisicamente, talvez por isso esteja a amamentar em exclusivo mesmo estando a trabalhar há 1 mês, talvez por isso já tenha feito a 4 uma viagem ao Alentejo e a tenha aproveitado ao máximo, com passeios matinais só para ver os campos (e as andorinhas) como nunca tinha visto.
Este “segundo round” está a ser assim, como essa viagem ao Alentejo na Primavera. Repeti caminhos que percorri muitas vezes no Verão, mas desta vez os campos estão verdes, rosa, lilás e amarelo forte. E eu nunca tinha parado tanto tempo só para apreciar a cor dos campos alentejanos, para os reter em mim e na lente da minha câmara fotográfica.
Agora, também eu dou por mim a parar e a reter tudo o que a minha pequenina tem para me dar e o tanto que lhe tenho destinado. A consciência de que estou a viver cada dia pela última vez faz-me assim, mais contemplativa, mais presente e (paradoxalmente) mais serena.
Melhor mãe do que nos outros Alentejos.
E inevitavelmente penso que o meu primeiro amor pequenino sai em desvantagem. Mas depois esse pensamento esvai-se, porque o que importa é que agora sou melhor, pela/para a Ana e pelo/para o Pedro.

 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não dá para esconder que temos um filho pequeno...#30

Quando recebemos um telefonema da escola e, enquanto a recepcionista passa a chamada à educadora, ficamos sem respirar.

Tinha-o deixado há cerca de 2 horas, bem-disposto, não podia ser febre ou viroses. Imaginei uma cabeça partida, um braço ao ombro, mas era só por causa de um ensaio... (e sim foi a primeira vez que me ligaram da escola).

terça-feira, 1 de abril de 2014

O meu silêncio

O meu silêncio sabe-me a amor.
Estou perdidamente apaixonada e na confusão do amor não me resta tempo para escolher palavras.
O que vos posso adiantar é que não me lembro de me sentir tão bem...não com o corpo, não com a casa, não com o trabalho, mas com a vida. Com a vida a 4.