Nesta mais recente maternidade não tive ataques de choro como na primeira, não senti oscilações hormonais que me fizessem parecer bipolar. Nesta mais recente maternidade só chorei por causa do Pedro.
Depois de uma reacção doce durante toda a gravidez, depois de uma reacção eufórica, plena de felicidade, no dia em que conheceu a irmã, o Pedro revelou-se zangado, irritado, furioso até.
Eu contava com ataques de ciúmes contra a Ana Miguel, com retrocessos aqui e ali, mas não contava que dirigisse toda a sua instabilidade contra nós, pais. E nós, que nos desdobrámos para que não sentisse diferença nas rotinas, que nos multiplicámos para lhe dar todo o mimo ( e muito mais), nós éramos para ele o inimigo!
Durante 8 dias o Pedro deixou de dizer, como sempre disse, que me adorava. Durante 15 dias não quis a nossa ajuda no banho, na hora de beber o leite, não quis que participássemos nas suas brincadeiras. Chegou mesmo a dizer que queria que nós fossemos embora e que ele ficava sozinho com a mana.
Tudo isso doeu mais do que podia imaginar, não por pensar que algo tinha mudado na nossa relação mas por ser um reflexo do seu sofrimento imenso.
O Pedro deitou-se várias vezes a chorar e ele não sabe que, enquanto lhe apertava o corpo contra o meu e lhe beijava a testa, também eu me deitava a chorar.
O pior já passou e gosto de pensar que as coisas voltaram à normalidade. Mas há retrocessos num dia ou noutro. São esses dias que me lembram que o melhor que pude fazer pelo meu filho lhe trouxe também o pior. São esses dias que não me fazem esquecer que os dias mais felizes da minha vida foram também os mais duros.