O nosso Verão levou-nos, a 4, a um lugar especial, onde as refeições são arte, onde as mesas são a plateia e a cozinha o palco, onde à noite nos sentamos junto à fogueira, onde à noite podemos fingir ser pirilampos, com lanternas na cabeça, onde as mantas se emprestam, os baloiços são de todos, onde os livros já foram folheados por diversas mãos, onde a confiança está num bar, onde se prepara um gin ou um café fora de horas, onde a guitarra é de todos, onde as crianças têm um espaço à medida, onde os quartos são únicos, onde se pode tomar banho na varanda ou numa banheira azul com vista para a serra, onde a piscina é fria e, ainda assim, nada importa, porque o calor é de outra natureza, onde as almofadas têm andorinhas bordadas, onde os quadros têm frases que poderiam ser nossas, onde não há tempo a contar ou a correr, onde tudo é um pormenor, um sentido, onde se pode ser genuinamente feliz sem nada por perto.
E onde o Pedro encontrou "os morcegos mais felizes de Portugal".
Recomendo e espero voltar. Cooking and Nature, Alvados.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
O nosso Verão #2
O nosso Verão trouxe-nos 6 meses de Aninha e a velha sensação ambígua de que o tempo passa a correr mas que a pequena habita a nossa casa e os nossos corações desde sempre. Já somos 4 desde sempre, os 6 meses deram-nos tempo para assim sentirmos a nossa família, a nossa vida e é por isso que estes 6 meses parecem anos, décadas. Porque um amor assim não é um amor de uma meia dúzia de meses, não é mesmo...
E porque festejamos meia dúzia de meses e porque eles são doces, doces, escolhemos o jeito certo:
E porque festejamos meia dúzia de meses e porque eles são doces, doces, escolhemos o jeito certo:
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
O nosso Verão #1
O nosso Verão começou em casa, sem pressas, com a introdução da sopa à Aninha e com a certeza de que nós, como família, aprendemos definitivamente a rir das dificuldades.
Os meus filhos nascem sem o gene mais precioso do pai (estou a brincar, Miguel), que é aquele que o faz comer de tudo e sempre com muito pouca moderação.
Mas ao contrário do que fizemos com o Pedro, deixámo-nos de estratégias pouco ortodoxas e optámos por fazer tudo com mais calma e com a certeza de que o tempo tudo resolverá. No final de cada refeição, rimo-nos (durante também), tiramos fotografias e levamos a pequena para a banheira.
Os meus filhos nascem sem o gene mais precioso do pai (estou a brincar, Miguel), que é aquele que o faz comer de tudo e sempre com muito pouca moderação.
Mas ao contrário do que fizemos com o Pedro, deixámo-nos de estratégias pouco ortodoxas e optámos por fazer tudo com mais calma e com a certeza de que o tempo tudo resolverá. No final de cada refeição, rimo-nos (durante também), tiramos fotografias e levamos a pequena para a banheira.
O nosso Verão
O nosso Verão durou 15 dias, os dias de férias que nos couberam. Talvez o nosso Verão tenha durado mais tempo, porque o que nos deu fará, seguramente, a diferença em cada dia que se segue.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
*
Tenho 3 amigas que o são desde sempre. Já escrevi sobre isso.
Tenho 3 amigas que são minhas irmãs.
Como nos conhecemos desde sempre, às vezes, quando estamos as 4, é como se o tempo tivesse parado e nós não somos adultas, não trazemos filhos ao colo, cabelos brancos, algumas rugas, responsabilidades profissionais... Quando estamos as 4 lembro-me de nós como sempre fomos, crianças, adolescentes, livres, genuinamente felizes, cinematograficamente dramáticas (ui, como eu era dramática), sem que ninguém nos faltasse.
Em tantos anos de amizade, todas nós passamos por momentos difíceis, todas nós tivemos juntas num abraço, num beijo, num consolo.
Mas desta vez foi diferente. Naquele exacto momento em que 3 de nós suportavam nos braços a dor de quem via o pai deixar o último lugar que conheceu, naquele exacto momento em que a porta se fechou e só se ouvia silêncio e choro, estarmos as 4, só as 4, juntas, fez-me perceber como já somos adultas.
Porque é uma perda que só se deve ter na vida adulta.
Porque, naquele exacto momento, não nos vi como na infância.
Tenho 3 amigas que são minhas irmãs.
Como nos conhecemos desde sempre, às vezes, quando estamos as 4, é como se o tempo tivesse parado e nós não somos adultas, não trazemos filhos ao colo, cabelos brancos, algumas rugas, responsabilidades profissionais... Quando estamos as 4 lembro-me de nós como sempre fomos, crianças, adolescentes, livres, genuinamente felizes, cinematograficamente dramáticas (ui, como eu era dramática), sem que ninguém nos faltasse.
Em tantos anos de amizade, todas nós passamos por momentos difíceis, todas nós tivemos juntas num abraço, num beijo, num consolo.
Mas desta vez foi diferente. Naquele exacto momento em que 3 de nós suportavam nos braços a dor de quem via o pai deixar o último lugar que conheceu, naquele exacto momento em que a porta se fechou e só se ouvia silêncio e choro, estarmos as 4, só as 4, juntas, fez-me perceber como já somos adultas.
Porque é uma perda que só se deve ter na vida adulta.
Porque, naquele exacto momento, não nos vi como na infância.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Ambiguidades
O que eu gosto mais na minha profissão é o sentimento de que uma acção minha mudou a vida de uma pessoa.
Fico orgulhosa quando ganho uma acção, quando penso numa solução jurídica para um problema, quando resolvo um conflito, quando acerto.
Mas o que eu gosto mesmo na minha profissão é fazer a diferença na vida de uma pessoa.
Ontem foi um dia assim. Trabalhei muito, muito mesmo, e ao fim de 7 horas tinha mudado a vida de uma pessoa. E não há nada que se compare ao calor de umas mãos a agarrarem as nossas, como se fossemos mais do que realmente somos. Não há nada que se compare a ver a pessoa voltar para trás, mais uma vez, só para nos agarrar as mãos, em jeito de agradecimento.
Ainda assim, quando hoje levei o meu filho a uma sala de audiências, quando lhe mostrei onde a mamã trabalha, quando, atenta a insistência dele de que também queria "atender pessoas", uma funcionária lhe deu um processo para a mão para que percebesse um pouco mais que a mamã lida com papéis, muitos papéis, sem as ilustrações coloridas a que está habituado, desejei, em voz alta, que não seguisse as pisadas da mãe.
Fico orgulhosa quando ganho uma acção, quando penso numa solução jurídica para um problema, quando resolvo um conflito, quando acerto.
Mas o que eu gosto mesmo na minha profissão é fazer a diferença na vida de uma pessoa.
Ontem foi um dia assim. Trabalhei muito, muito mesmo, e ao fim de 7 horas tinha mudado a vida de uma pessoa. E não há nada que se compare ao calor de umas mãos a agarrarem as nossas, como se fossemos mais do que realmente somos. Não há nada que se compare a ver a pessoa voltar para trás, mais uma vez, só para nos agarrar as mãos, em jeito de agradecimento.
Ainda assim, quando hoje levei o meu filho a uma sala de audiências, quando lhe mostrei onde a mamã trabalha, quando, atenta a insistência dele de que também queria "atender pessoas", uma funcionária lhe deu um processo para a mão para que percebesse um pouco mais que a mamã lida com papéis, muitos papéis, sem as ilustrações coloridas a que está habituado, desejei, em voz alta, que não seguisse as pisadas da mãe.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Está na hora
Os dois adormeceram juntos, com toda a logística que isso implica (um braço aqui, um pé ali, para evitar contactos mais violentos, ainda que involuntários, do Pedro à Ana).
De manhã, a primeira coisa que o Pedro me disse foi: " a mana não dormiu no meu quarto".
Pois não, meu amor, e está na hora, está mesmo na hora. Por ti, por ela e por nós.
Miguel, este post é especialmente dirigido a ti e à tua caixa de ferramentas.
De manhã, a primeira coisa que o Pedro me disse foi: " a mana não dormiu no meu quarto".
Pois não, meu amor, e está na hora, está mesmo na hora. Por ti, por ela e por nós.
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